Pular para o conteúdo
10 de outubro de 2026 Primeiro jornal online do Vale do Aço Região Metropolitana do Vale do Aço
Folha do Comércio

Saúde

Pediatra explica quando infecções frequentes em crianças são normais e quando exigem investigação

Segundo a pediatra Mariana Bolonhezi, a observação do contexto e da recuperação da criança entre os episódios ajuda a diferenciar o esperado na infância de sinais de alerta.

Redação Folha do Comércio

Publicado em

Crianças que frequentam escola ou creche podem adoecer várias vezes ao longo do ano, e isso nem sempre indica problema de imunidade. A avaliação é da pediatra Mariana Bolonhezi, que explica como pais podem diferenciar o esperado na infância de situações que merecem investigação.

De acordo com a pediatra, é preciso observar o contexto antes de transformar a frequência das doenças em motivo de preocupação. Nos primeiros anos de vida, especialmente em ambientes coletivos, é esperado que a criança tenha contato frequente com vírus e desenvolva diferentes infecções.

"É muito comum os pais terem a impressão de que a criança acabou de melhorar e já ficou doente de novo. Muitas vezes, não é a mesma doença que voltou, mas uma nova infecção viral adquirida pouco tempo depois. O sistema imunológico está em fase de aprendizado, e a criança está sendo exposta a microrganismos com os quais ainda não teve contato", explica Mariana.

Quando uma doença termina e outra começa?

Um dos principais desafios para os pais é diferenciar uma nova infecção de uma doença que ainda não se resolveu por completo. Tosse e coriza, por exemplo, podem persistir por dias ou até semanas após uma infecção respiratória, mesmo quando a criança já está se recuperando.

"Nem todo sintoma que permanece significa que a criança adoeceu de novo. A tosse pode durar mais do que a febre, por exemplo. Por isso, é importante observar a evolução do quadro como um todo, e não apenas a presença de um sintoma isolado", orienta a pediatra.

A frequência das infecções também precisa ser analisada levando em conta a idade da criança, o ambiente em que ela vive, se frequenta escola ou creche, se tem irmãos em idade escolar e o intervalo entre um episódio e outro.

Quando é preciso investigar?

Embora infecções de repetição façam parte da infância, alguns sinais merecem avaliação mais cuidadosa do pediatra:

  • quadros muito graves ou prolongados;
  • infecções que exigem internação;
  • necessidade frequente de antibióticos;
  • dificuldade para ganhar peso ou crescer;
  • pneumonias de repetição;
  • infecções por microrganismos pouco comuns.

"O número de episódios, sozinho, não conta toda a história. O que importa é entender como essas infecções acontecem, qual é a gravidade, como a criança se recupera e como está o desenvolvimento dela entre um episódio e outro", explica Mariana.

Segundo a pediatra, esse olhar mais amplo ajuda a evitar um erro comum: concluir automaticamente que uma criança que adoece com frequência tem algum problema de imunidade.

Nem tudo é imunidade baixa

Alergias respiratórias e asma, por exemplo, podem provocar sintomas que se confundem com novas infecções. Coriza, tosse recorrente, chiado e congestão nasal podem ter diferentes causas e precisam ser avaliados dentro do histórico da criança.

"Uma criança que está sempre com o nariz entupido, tosse ou secreção não está necessariamente tendo uma nova virose a cada vez. Algumas condições alérgicas ou respiratórias provocam sintomas persistentes ou recorrentes e precisam ser diferenciadas das infecções", afirma a pediatra.

Por isso, antes de recorrer por conta própria a vitaminas, suplementos ou medicamentos para "aumentar a imunidade", o ideal é investigar a causa da recorrência. Alimentação adequada, sono de qualidade, vacinação em dia, atividade física e acompanhamento pediátrico regular continuam sendo os pilares da saúde infantil.

O que os pais devem observar?

Para Mariana, mais importante do que contar quantas vezes a criança ficou doente é observar como ela fica entre os episódios.

"Se a criança se recupera bem e volta a brincar, comer, dormir e se desenvolver normalmente entre as infecções, isso é um ótimo sinal. Já quando ela nunca se recupera por completo, apresenta quadros muito intensos ou a doença começa a afetar o crescimento e a rotina, vale conversar com o pediatra", explica.

A orientação, portanto, não é ignorar a frequência das doenças, mas evitar tanto a preocupação excessiva quanto a banalização dos sintomas. Só a avaliação individual permite entender quando uma sequência de viroses faz parte da infância e quando é sinal de que algo precisa ser investigado.

Com informações de assessoria de imprensa Fonte: Agencia Viva

Compartilhe

Leia também em Saúde